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O Clube de Engenharia nos
Séculos XIX e XX
Olavo Cabral Ramos Filho
O Clube e as mudanças climáticas – reflexões
Não é verdade que se o homo sapiens sapiens ainda
não existisse ou, caso existisse, ainda não tivesse
iniciado o seu período sedentário agro-pastoril,
o planeta Terra ainda assim estaria num dos seus períodos
de aquecimento global. Esse período recua parcos 8000
anos. E sua radicalização hiper exponencial há curtíssimos
200 anos. A análise de períodos muito maiores de
centenas e dezenas de milhões de anos, até bilhões
de anos, confirmou um planeta contingente e fortuito, com sucessivas
extinções e renascimentos da vida vegetal e animal.
Extinções mais lentas ou muito rápidas como
aquela causada pelo asteróide caído há 65,5
milhões de anos. Ou o asteróide que atingiu o planeta
tão violentamente que separou e ejetou uma massa substancial
que formou a Lua. Ou os períodos de felizes ausências
de grandes impactos cósmicos ou os períodos menos
felizes de múltiplos impactos ou de grande vulcanismo.
A
boa noticia – é realmente uma boa noticia – é que
o homo sapiens sapiens surgiu num planeta fortuitamente viável
para a vida. Tem viajado há uns 5 bilhões de anos
numa órbita – nem sempre exatamente a mesma – a
uma distância confortável da estrela Sol. Girou
em torno do seu eixo com uma velocidade angular também
bastante conveniente que permitiu um tempo de rotação
de 24 horas – também nem sempre exatamente a mesma
ou com a mesma inclinação do seu eixo em relação
ao plano da órbita. Dotado de grande quantidade de água
líquida e de temperaturas favoráveis. Lembremo-nos
dos outros planetas rochosos. Vênus e Mercúrio que
giram mostrando sempre a mesma face para o Sol. E de Marte com
suas prováveis inviabilidades precoces para a evolução
de vida. Ou aqueles geladíssimos em órbita além
dos macro gasosos Júpiter e Saturno,
Devemos
manter, sem agonias esotéricas, a consciência do
movimento inexorável
das placas tectônicas que nas próximas centenas
de milhões de anos mudarão o mapa do planeta e
os climas de eventuais regiões habitáveis, pela
alteração das posições relativas
entre os oceanos, mares e continentes. Se é que o homo
sapiens sapiens ainda estará por aqui, tendo sobrevivido
a grossos impactos, aquecimentos e cataclismos de longa duração
e, finalmente, aí o pior, o Sol Super Nova! Todos estão
cientes que previsões meteorológicas diárias,
mensais ou plurianuais tornaram-se cada vez mais confiáveis.
Instrumentos de detecção espalhados pela superfície
da Terra e em satélites e os modelos matemáticos
em computadores de grande capacidade que possibilitaram resolver
em tempo real ou por simulação fenômenos
físicos extremamente não lineares. Quem ainda apregoa
que as previsões meteorológicas continuam pouco
confiáveis como eram, digamos, até meados do século
passado, o faz por ignorância ou estranha má fé.
De qualquer modo, mesmo nesses tempos em que a probabilidade
de acerto nas previsões era pequena, a comunidade dos
especialistas já demonstrava preocupações
que prenunciavam as atuais em relação a mudanças
preocupantes. É transcrito abaixo um trecho do artigo “O
Inverno Meteorológico de 1930”, publicado na Revista
Brazil-Ferro-Carril de 30/10/1930 – nº 683. Apesar
da coincidência da data face às mudanças
políticas que a nação presenciava naquele
outubro, o artigo é inteiramente técnico e factual.
“No
Districto Federal, o inverno deste anno, mais do que o de 1929,
caracterizou-se por elevada temperatura, accentuadamente no mez
de junho, pois a média desse mez, 22,5, no Observatório
Meteorológico, apresentou em relação á normal,
obtida num período de 48 annos, desvio positivo notável
de 2,3. Outrossim, interessante é referir que o mez de
junho, desde 1890, só três vezes teve média
superior a 22,0: em 1906, 22,2; em 1914, 22,6; em 1928, 22,3,
sendo o de 1914 o maior valor attingido.....”
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