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Geólogo diz que 61% da população brasileira consome água subterrânea
As divisões técnicas especializadas de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS), de Engenharia do Ambiente (DEA) e de Recursos Naturais Renováveis (DRNR) do Clube de Engenharia e a Associação Brasileira de Profissionais Especializados na França (ABPEF) promoveram, no dia 24 de maio, exposições sobre os temas "Águas subterrâneas no Estado do Rio de Janeiro" e "Areais do médio vale do rio Paraíba do Sul", proferidas pelos geólogos Anderson Martins e Hernani Nunes, do Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ).
Anderson Martins iniciou sua apresentação destacando a importância da água subterrânea.
– Sessenta e um por cento da população brasileira abastecem-se de água subterrânea: 43% de poços profundos, 6% de poços rasos e 12% de nascentes (IBGE). Os aqüíferos estão mais protegidos da poluição do que as águas superficiais, pois as captações são pontuais, junto ou próximo ao consumo.
O geólogo falou sobre a distribuição da água no planeta, o ciclo hidrológico, os aqüíferos e a distribuição da água no solo. Entre os problemas ambientais que atingem as águas subterrâneas, Anderson Martins relacionou rejeitos e resíduos industriais, aterros sanitários e lixos químicos e tóxicos no subsolo.
– Hoje sabe-se que a poluição das águas subterrâneas tem origens diversas: fertilizantes, pesticidas, fossas sépticas, drenagens urbanas e poluição do ar e das águas de superfície. Outros problemas são a extração de um volume de água excessivo, interferências com outros usuários, atração de águas de qualidade indesejáveis, depleção do manancial e alterações no meio ambiente – disse.
O palestrante falou ainda sobre o Aqüífero Guarani, que pode conter mais de 40 mil quilômetros cúbicos de água – mais que toda a água contida nos rios e lagos do planeta.
Ele estimou em torno de 20 mil o número de poços tubulares profundos no Estado do Rio de Janeiro.
– A perfuração ainda ocorre sem controle. Grande número de poços são mal locados, construídos sem normas técnicas e operados sem manutenção. Nessas condições, o resultado do poço é incerto ou sua vida útil é curta – alertou.
AREAIS DO PARAÍBA DO SUL
O geólogo Hernani Nunes discorreu sobre os aspectos físicos e legal dos areais do médio vale do rio Paraíba do Sul.
– Toda região faz parte da bacia do rio Paraíba do Sul, que apresenta características geológicas e geomor-fológicas favoráveis para deposição de areia. Atualmente há problemas de erosão e assoreamento dos rios devido à devastação da vegetação pela ocupação antrópica ao longo dos vários ciclos: açúcar, café e industrial, entre outros, fora problemas como poluição por esgotos sanitários e contaminação por agrotóxicos e resíduos industriais – explicou.
Hernani Nunes ressaltou o aspecto benéfico da atividade de extração de areia.
– A atividade de extração, além de retirar o produto "areia", promove o desassoreamento e a "limpeza" da calha pela retirada de lixo, desobstruindo o leito e evitando transbordamentos – disse.
Outro problema do setor é o ambiental, por conta da ocupação da faixa marginal de proteção, fora do limite determinado – cerca de 100 metros – pela Lei 4.771, de 15/09/1965 (Código Florestal).
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