Presidente da Caixa diz que apresentação de projetos para o PAC surpreendeu

FOTO: FERNANDO ALVIMA diretoria de Atividades Sociais promoveu, no dia 30 de novembro, almoço em homenagem à Caixa Econômica Federal (CEF), que contou com a presença de sua presidente, Maria Fernanda Ramos Coelho. A presidente da Caixa disse que havia muita desconfiança na sociedade de que estados e municípios não teriam projetos a apresentar para análise no âmbito do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas em três meses, revelou, já foram enviados projetos que correspondem a 90% dos recursos previstos.

Além da presidente da CEF, fizeram parte da mesa principal o presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, o vice-presidente da Caixa, Wellington Moreira Franco, o superintendente regional da CEF no Rio de Janeiro, José Domingos Vargas, o secretário municipal de Habitação, Luiz Humberto Barros, os subsecretários de habitação, Nilton Salomão (estadual) e Paulo Figueira (municipal), os presidente do Sinduscon-Rio, Roberto Kauffmann, da Aeerj, Francis Bogossian, da Seaerj, Ângela Botelho, e do IAB-RJ, Fernando Alencar, e os ex-presidentes do Clube Agostinho Guerreiro e Raymundo de Oliveira. O evento contou com as presenças de superintendentes e gerentes da CEF, entre eles a gerente da área de Desenvolvimento Urbano no Rio, Vera Escudeiro, responsável pela equipe de engenheiros e arquitetos da instituição, e que foi citada pela presidente da CEF.

Maria Fernanda Ramos Coelho disse que 2007 foi um ano de fortalecimento institucional para a empresa.

– Nesses últimos onze meses desde o lançamento do PAC, dos mais de R$ 500 bilhões que serão disponibilizados nos próximos quatro anos, cerca de R$ 100 bilhões serão repassados pela Caixa em investimentos nas áreas de saneamento e habitação. O governo do presidente Lula encarou a grande desigualdade regional deste país e o processo de exclusão social e estabeleceu políticas de integração ao sistema econômico – afirmou.

GEOGRAFIA DA EXCLUSÃO

A presidente da Caixa participou com o presidente da República, antes do almoço no Clube, da assinatura da ordem de início para trinta obras de reurbanização e saneamento nas favelas cariocas do Pavão-Pavãzinho e do Cantagalo, que incluem até um elevador. Ela anunciou que as próximas comunidades atendidas serão as de Manguinhos e as do Complexo do Alemão.

– Há muitos anos li o livro "A burrice do demônio", do psicanalista Hélio Pelegrino. Ele sustentava que a não ocupação pelo estado de alguns espaços urbanos iria permitir que os jovens fossem cooptados pelas forças do tráfico. Sabemos que a geografia da violência é a geografia da exclusão. Desde que começou o PAC, o estado vem recuperando seu papel e investindo em obras públicas como ferrovias, portos, rodovias, habitação e saneamento, com um volume de recursos públicos muito significativo. O setor privado, por sua vez, começa a ter uma atuação muito mais intensa nesse mesmo ambiente, que se torna propício para os investimentos – comemorou.

A executiva disse que em seus 23 anos de carreira na Caixa sempre foi difícil planejar, porque não se sabia se haveriam recursos para dar continuidade às obras. Para ela, o PAC estabelece um cronograma de investimentos, "um novo pacto federativo". Dessa forma, o governo federal estaria trabalhando de maneira afinada e alinhada com estados e municípios, de modo a possibilitar um crescimento sustentável. No Rio de Janeiro, só de investimentos do PAC a Caixa deve liberar em torno de R$ 4 bilhões em obras de saneamento e habitação. Dos 26 bilhões em projetos do PAC previstos para liberação na Caixa em 2007, adiantou, mais de 50% já estão contratados.

– Além de todo esforço que foi feito este ano com a contratação de engenheiros e arquitetos, a criação da célula de assistência técnica em todos os estados, a abertura da sala das prefeituras, também operamos nos mais de 21 mil pontos de atendimentos da Caixa toda a rede de proteção social do governo, tendo como grande exemplo disto o programa Bolsa Família. O que pode confundir às vezes é que a Caixa implementa políticas públicas mas também concorre num mercado altamente competitivo, que é o mercado financeiro. A Caixa é um banco cem por cento público e está sob sua responsabilidade ampliar e democratizar o acesso ao crédito. Desde 2003, mais de cinco milhões de cidadãos tiveram acesso a uma conta bancária – depois de um período de movimentação dessa conta, eles passam a ter acesso ao crédito. Estamos trabalhando com base numa decisão política do presidente da República que é focar em quem tem maior necessidade, que é a população de baixa renda. O Brasil ainda é muito desigual – lamentou.

PEDRA FUNDAMENTAL

Maria Fernanda Ramos Coelho disse que o Clube de Engenharia foi inovador ao reconhecer a importância de empresas públicas como Furnas e Petrobras.

– Sei que isto sempre foi debatido ao longo da história do Clube. Achei muito significativas as palavras de Joaquim Silvério Barbosa, em 1904, quando lançou a pedra fundamental do Clube de Engenharia. Ele disse: "Todo homem que deseja o bem estar de seu país está obrigado, por honra, a tomar uma parte ativa na vida política. Só terá direito ao respeito e à consideração pública na medida das obras que tiver realizado". Em nome dos mais de 74 mil empregados da Caixa agradeço a homenagem que o Clube está fazendo a toda nossa equipe.

O presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, comentou que o nome da Caixa está "intrinsecamente associado ao conceito de segurança, de proteger a riqueza do cidadão, por menor que seja o seu valor nominal".

– É aquela instituição que recebe a todos igualmente, onde o mais humilde dos cidadãos não se sente inibido. Que homem ou mulher por esse Brasil afora nunca sonhou em ter uma "poupança na Caixa"? Mas a empresa tem outro lado que é importante ressaltar: é o principal agente concretizador dos projetos de engenharia em desenvolvimento urbano, especialmente em habitação, saneamento e infra-estrutura. Em 2006 a Caixa aplicou R$ 18 bilhões de reais em desenvolvimento urbano – ressaltou.

DÉFICIT HABITACIONAL

Heloi Moreira lembrou que o Brasil apresenta um déficit habitacional de cerca de 7 milhões, concentrado na faixa de até 3 salários mínimos de renda familiar (90%).

– Só esses números são suficientes para demonstrar a responsabilidade e a importância da CEF para uma das mais básicas atividades da engenharia: construir um teto digno, de modo que qualquer um possa exercer com plenitude sua cidadania. Mas o investimento em habitação não se encerra na construção da casa própria. No seu bojo está inserido um aspecto social também altamente relevante: a geração de milhões de empregos, diretos e indiretos, que beneficiam um maior número de pessoas – disse o presidente do Clube.
Heloi destacou que o PAC já está revitalizando a engenharia brasileira, com reflexos no mercado de trabalho do profissional, na carteira de projetos e obras das empresas e, surpreendentemente, também na procura do ensino de engenharia.


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