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Obstáculos
ao Programa de Aceleração do Crescimento
O Clube de Engenharia e a Associação
Brasileira de Consultores de Engenharia (ABCE) promoveram o workshop "PAC:
Obstáculos a remover – O papel da Engenharia",
apresentado, detalhadamente, nas páginas centrais desta
edição, para debater, dentro desse enfoque, os
projetos de infra-estrutura incluídos no PAC, especificamente
nas áreas de logística, habitação
e saneamento.
Está previsto que parte dos investimentos para essas áreas
deverá ser de responsabilidade do setor privado. É um
ponto crítico, pois irá depender da questão
ambiental e da qualidade do ambiente de negócios, que
está diretamente relacionado com os marcos regulatórios
e a segurança jurídica e institucional do país.
O setor privado espera providencias do governo no sentido de
fortalecer as agencias reguladoras e racionalizar a atuação
dos órgãos de meio ambiente. A proliferação
de leis e regulamentos ambientais em todas as esferas e níveis
de competência tem causado efeitos imediatos sobre a qualidade
da política ambiental, gerando incertezas, custos e dificuldades
de implementação. Dentro da melhoria do "ambiente
de negócios" estão incluídas as questões
da redução das taxas de juros, que vai depender
do comportamento da economia, da redução da carga
tributária – com a aprovação de uma
reforma pelo Congresso Nacional – e, evidentemente, da
manutenção da boa fase por que passa a economia
mundial.
Os empresários do setor habitacional avaliaram que a meta
contida no PAC só poderá ser atingida quando o
subsídio para a habitação de interesse social,
abrangendo as famílias de renda abaixo de cinco salários
mínimos, for efetivamente implantado. Além disso,
a MP 349, que propõe utilizar R$ 5 bilhões do patrimônio
do FGTS para financiar projetos de infra-estrutura, podendo essa
utilização chegar a R$ 17 bilhões, causou
reação negativa muito grande, inclusive dos sindicatos
de trabalhadores. No saneamento, os especialistas têm debatido
a politização do setor e a desoneração
tributária do Pis, do Pasep e da Cofins, que representam
7% da receita líquida das companhias.
Nos transportes aquaviários, o gargalo é a falta
de investimentos em infra-estrutura portuária. Os portos
brasileiros padecem de assoreamento, por falta de dragagem, de
ausência de planejamento sistêmico, de atraso na
introdução das PPP's e de falta de integração
com os investimentos públicos na infra-estrutura de transporte.
A preocupação dos analistas é de que esse
quadro cause uma inibição nos investimentos privados
e um colapso nos portos, pela limitação física
das instalações e do acesso às cargas.
Por outro lado, como apresentado no workshop,
a efetiva implantação
desses projetos irá depender de um eficiente sistema de
gerenciamento. Trata-se de enorme quantidade de projetos – mais
de 600 – de diferentes tipos, tamanhos e complexidades.
Vários órgãos governamentais envolvidos,
diversas fontes de financiamento, e medidas dependentes de aprovação
do Congresso Nacional. Será fundamental para o êxito
do PAC a elaboração de bons projetos, a mobilização
dos setores técnicos, administrativos, financeiros e jurídicos
dos órgãos e empresas envolvidas, além, é obvio,
da continuidade do fluxo dos recursos. A morosidade que se nota
nos processos de licenciamento ambiental, nos processos licitatórios
e nos processos de repasse de recursos, pelo excesso de exigências,
caso não enfrentada, será um sério risco
para a execução do PAC.
O Clube de Engenharia e a ABCE estão
empenhados em debater esses problemas – a engenharia brasileira
está apta
para contribuir para a superação desses obstáculos.
A
Diretoria
ERRATA: Na última frase do artigo da diretoria da edição
passada, o correto é:” ...irá tomar as ações
necessárias para impedir que essa importação
seja permitida”.
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